A operação Capitu (1)– Olá, amigos e alunos,

– Hoje, liguei meu notebook e me deparei com uma notícia que aguçou minha curiosidade, confesso, e depois que me informei, resolvi escrever esse post. Eu já amo escrever, quando se refere à política e literatura então… nem se fale.

– Dia 09 de novembro, foi data da deflagração de uma operação da Receita Federal em parceria com a Polícia Federal intitulada Operação Capitu, que tinha como objetivo desarticular um grupo de políticos e empresários que “supostamente” teriam participado de um esquema de lavagem de dinheiro, obstrução da justiça e doação ilegal de campanha. Vocês viram que eu amo a linguagem jornalística, kkkkkk, supostamente. A verdade é que quando a polícia estava revistando o apartamento de um dos “supostos” envolvidos ele teria tentado jogar R$3.000 na privada, e quando deu descarga esse dinheiro todo nem entrou na privada e ficou lá, expondo o crime, então, não tem nada de “suposto”, são criminosos e ponto final. kkkkkk.

– Bom, isso tudo não é novidade, aliás, é mais um capítulo da brilhante Operação Lava Jato que nós conhecemos, o melhor acontecimento da nossa nação. Inclusive, um dos “supostos” envolvidos é nada mais e nada menos do que o nosso conhecido Joesley Batista, ou seja, nenhuma novidade. O que me chamou a atenção foi o nome da operação. Operação Capitu, e o motivo que a polícia deu para justificar esse título. Primeiro, quem foi Capitu?

– Capitu foi uma personagem do livro Dom Casmurro de Machado de Assis. Ela era uma personagem que detinha um olhar oblíquo e dissimulado que envolveu os pensamentos de Bentinho.  O escritor do livro Machado de Assis, com maestria, produziu sua narrativa de tal maneira que vem da obra uma pergunta que todos que já estudaram para o vestibular se faz ao ler o livro: “Capitu traiu ou não Bentinho?”. Pergunta boba, porque Machado deixou evidências de que sim e de que não. Mas eu amo a descrição do olhar oblíquo e dissimulado de Capitu, veja,

– A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas… As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a tinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.

(Machado de Assis, trecho do capítulo CXXIII Olhos de Ressaca)

– Repare que nesse trecho é bem o momento que vem a desconfiança de Bentinho pela Capitu. Era no velório do seu amigo Escobar. Veja que Bentinho viu o olhar de Capitu e acreditou que ela estava apaixonada por ele, porque segundo Bentinho era um olhar “apaixonadamente fixo”. kkkkkk. E a partir daí, Bentinho vive sua crise na consciência e tudo para ele é motivo de desconfiança de Capitu. Todos já conheceram alguém assim, ou já até viveu um momento assim. Mas o livro descreve o olhar de Capitu, um olhar de ressaca, oblíquo e dissimulado. Ela dissimulou, para conquistar o que ela queria, segundo essa visão. E Capitu, dona desse olhar oblíquo e dissimulado veio parar no título dessa operação. Amei. Porque independente de sua interpretação da obra, você há de convir comigo, os políticos tem mesmo esse olhar, assim como esses empresários corruptos que só denigrem a imagem do empresariado brasileiro. Um olhar fixo em poder e dinheiro. Como se nada mais existisse além disso: Poder e dinheiro.

– O jogo político é sujo, e caiu direitinho com essa descrição que Bentinho faz de Capitu, um jogo de ressaca, oblíquo, e dissimulado. Parabéns aos policiais federais que sempre atiçam minha curiosidade com esses nomes para as operações anticorrupção. Até a próxima, pessoal e bons estudos.