Leia o texto abaixo prestando atenção na pontuação nele expressa.

Saber é trabalhar (Concurso Escrevente técnico 2012)
Geralmente, numa situação de altos índices de desemprego, o trabalhador sente a necessidade de aprimorar a sua formação para obter um posto de trabalho. As empresas buscam os mais qualificados em cada categoria e excluem os que não se encaixam no perfil pretendido. Nos últimos anos, essa não tem sido a lógica vigente no Brasil. Segundo a pesquisa de emprego urbano feita pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), os níveis de pessoas sem emprego estão apresentando quedas sucessivas de 2005 para cá. O desemprego em nove regiões metropolitanas medido pela pesquisa era de 17,9% em 2005 e fechou em 11,9% em 2010.

A pesquisa do Dieese é um medidor importante, pois sua metodologia leva em conta não só o desemprego aberto (quem está procurando trabalho), como também o oculto (pessoas que desistiram de procurar ou estão em postos precários). Uma das consequências dessa situação é apontada dentro da própria pesquisa, um aumento médio no nível de rendimentos dos trabalhadores ocupados.

A outra é a dificuldade que as empresas têm de encontrar mão de obra qualificada para os postos de trabalho que estão abertos. A Fundação Dom Cabral apresentou, em março, a pesquisa Carência de Profissionais no Brasil. A análise levou em conta profissionais dos níveis técnico, operacional, estratégico e tático. Do total, 92% das empresas admitiram ter dificuldades para contratar a mão de obra de que necessitam.

(Língua Portuguesa, outubro de 2011. Adaptado)
O texto “Saber é trabalhar” foi  extraído da prova de língua portuguesa de um concurso público para Escrevente Técnico. Num próximo post do blog eu trarei as questões gramaticais usadas neste texto. Lendo-o podemos entender a importância  do sentido expresso pela pontuação. O que é pontuação? Quando falamos, sempre fazemos pausas ao pronunciar uma palavra depois da outra. Às vezes, a pausa é maior; às vezes, é menor; em certos momentos, as pausas são determinantes para entender o sentido. Essas pausas na fala são expressas graficamente no texto através da pontuação. Na escrita, não podemos identificar as pausas a não ser pelas vírgulas, pontos-finais, ponto e vírgula, interrogação, exclamação, etc. Repare que a pontuação não é importante somente pela pausa, mas ela também nos fará compreender o ritmo da língua portuguesa. Veja,

a) VÍRGULA. É a pontuação mais importante e dita o sentido da oração. Ela pode ser empregada para separar duas, ou mais, orações; ou para separar os elementos dentro de uma oração. Empregamos dentro de uma oração, quando vamos enumerar mais de um elemento: “A análise levou em conta profissionais dos níveis técnico, operacional, estratégico e tático”. Também se usa a vírgula dentro de uma oração entre termos adverbiais: “A Fundação Dom Cabral apresentou, em março, a pesquisa Carência de Profissionais no Brasil”. E ainda: “Geralmente, numa situação de altos índices de desemprego, o trabalhador sente a necessidade de aprimorar a sua formação para obter um posto de trabalho”. E em aposto e vocativo: “Uma das consequências dessa situação é apontada dentro da própria pesquisa, um aumento médio no nível de rendimentos dos trabalhadores ocupados”.

Além desses exemplos, temos o uso da vírgula para separar duas orações dentro de um mesmo período: “A pesquisa do Dieese é um medidor importante, pois sua metodologia leva em conta não só o desemprego aberto (quem está procurando trabalho), como também o oculto (pessoas que desistiram de procurar ou estão em postos precários)”

b) PONTO FINAL. Usa-se o ponto final para finalizar um período. Veja,

“As empresas buscam os mais qualificados em cada categoria e excluem os que não se encaixam no perfil pretendido.”

“Do total, 92% das empresas admitiram ter dificuldades para contratar a mão de obra de que necessitam.”

c) PONTO-E-VÍRGULA. É usado como uma pausa intermediária entre a vírgula e o ponto. É muito comum esse recurso para definir o estilo do autor. Há autores que gostam de usar e há os que não usam. Normalmente, emprega-se para separar elementos enumerados em que no seu interior já haja uma virgula (um exemplo é no direito):

“O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos:

I. Ir e vir;

II. Opinião de expressão;

III. Crença e culto religioso; (…)”

O ponto e vírgula também pode ser usado para separar questões com alternativas. Entre outros usos.

d) DOIS PONTOS. Usam-se os dois pontos para introduzir uma citação, ou um aposto.  “Disse-lhes Jesus: Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:13). “Uma só é a ideia que eu quero passar: que sejamos felizes”.

e) PONTO DE INTERROGAÇÃO. Usado para finalizar uma pergunta: “O que quer dizer oxítona?”.

f) PONTO DE EXCLAMAÇÃO. Usado para finalizar uma afirmação: “Sim, Senhor!”

g) RETICÊNCIAS. Usado para indicar que há algo suprimido por alguma razão, como, por exemplo, se o trecho escrito for extenso, se quiser destacar somente uma parte do texto, para indicar continuidade em uma ideia sem explicitar. Etc.

h) ASPAS. Usado para fazer citações, ou para destacar alguma palavra estrangeira, ou ainda para indicar que a expressão entre aspas está sendo usado em um sentido diferente do original. Ainda temos o uso em ironia.

i) TRAVESSÃO. Usado para indicar uma mudança de interlocutor em diálogos e para destacar algumas expressões.