editor-texto– Podemos fazer duas perguntas envolvendo o texto: uma delas é o que é texto, e outra é o que algo precisa ter para ser considerado texto? Das duas perguntas, a primeira é mais filosófica, já que se trata de uma questão ampla e que pode gerar inúmeras respostas; enquanto a segunda é mais científica, já que suas respostas serão mais objetivas. Apesar de serem diferentes, uma necessita da outra. Dependendo da resposta da primeira, teremos respostas distintas para a segunda.

– Gostaria de começar pela segunda pergunta. Afirmamos que ela seja uma pergunta científica porque o texto é colocado como um objeto de estudos e dessa forma podemos descrevê-lo em algumas de suas características. E se o colocarmos como um objeto, veremos não uma coisa estática, parada ou estável. Ao contrário, ele pode se manifestar de inúmeras maneiras. A primeira delas é a que mais a percebemos como texto: a verbal, que é todo aquele produzido através de palavras. Dessa maneira, vemo-lo, como um conjunto de palavras organizadas promovendo um ou mais sentidos para um interlocutor. E, claro, esse aglomerado de palavras foi feito por alguém, que é o autor, direcionado para o seu interlocutor, que é o leitor.

– Outra manifestação do texto é a imagem. Assim como o verbal, o imagético também foi feito por um autor, para seu interlocutor. O que o diferencia do verbal é a sua natureza imagética, caracterizada não por se compor através de palavras, mas por traços, cores, movimento, etc. Ao contrário do verbal, as possibilidades de sentidos são maiores, tratam-se de textos mais subjetivos, dando maior liberdade ao autor, como ao leitor. Podem ser fotos, desenhos, caricaturas, mapas, charges, tirinhas. É muito comum também vermos um texto que misture a manifestação verbal com a imagética. Quando isso acontecer, para entendê-lo é preciso analisar não a imagem separada da palavra, ao contrário, uma deve ser entendida em relação com a outra. Além disso, para entender um texto devemos levar em consideração alguns aspectos.

– Um deles é o contexto social em que ele é produzido. Os sujeitos (autor e leitor) estão inseridos em uma determinada cultura e por isso eles o leem de diferentes maneiras. E desse jeito, nós, também, enquanto autores e leitores, estamos inseridos em determinadas culturas que influenciam a nossa leitura. Não podemos desprezar esse aspecto. O sentido do texto depende dessa inserção cultural dos sujeitos do texto.

– Da mesma forma, além da questão do contexto, precisamos entender que todos os fragmentos textuais têm uma história, ou seja, não estão isolados de outros, mas se relacionam. Chamamos isso de intertextualidade. Cada texto está relacionado com outros que o precedem. E da mesma forma se antecipa a outros, que o respondem.

– E por fim, todos eles são caracterizados por uma determinada estrutura. Cada tipo textual possui suas características, que o ucompõe. Por exemplo, a dissertação é dissertação, porque ela possui alguns elementos que a caracterizam: o fato de conter um posicionamento do autor, e de este em contrapartida utilizar-se de argumentos para confirmar a sua tomada de posição perante um determinado tema. Já, a narração tem uma estrutura distinta, tem como componentes personagens que tramam uma história dentro do espaço e do tempo de um enredo. Enfim, cada tipo de texto terá sua estrutura definida, que pode se modificar ao longo do tempo, de acordo com os seus usos por parte de seus sujeitos.

– Colocadas essas questão referentes ao que faz do texto um texto, precisamos entender qual a sua definição. Podemos defini-lo, então, como qualquer manifestação da linguagem que produz sentidos para determinados sujeitos inseridos em certos contextos culturais.   Entendendo por sujeitos, aquelas pessoas envolvidas na trama do texto, como por exemplo o autor, aquele que produz o texto, e leitor, aquele que lê o texto. E, por sentidos, entendemos qualquer efeito que o texto possa produzir, como informações, mensagens, convencimentos, ideologias, sentimentos, sensações etc